Frequentemente o ensino ciências é um fracasso porque apresenta soluções perfeitas para problemas que nunca chegaram a ser formulados e compreendidos pelo aluno.
Rubem Alves
As últimas décadas do nosso século vêm registrando um estado de profunda crise mundial. É uma crise com muitas variáveis e interações complexas, com implicações sobre vários aspectos do modo vida social, econômico, político e cultural. É temerário e perigoso que os cidadãos continuem ignorando o aquecimento global, a diminuição da camada de ozônio, a poluição do ar, o problema do lixo tóxico e radioativo, a chuva-ácida ou o crescimento exponencial da população.
Pensando nisso, parece indiscutível que se deva buscar novas alternativas para que haja uma alfabetização científica. Mas como tornar a ciência parte integrante da cultura e da vida das pessoas?
Japiassu (1998) comenta que a família e a escola constituem lugares onde o acúmulo dos traumatismos determina o comportamento do adulto diante da vida intelectual, e que os fracassos escolares na infância geram profundas angustias. Como o ensino das ciências é, em geral, um fracasso, surge muito cedo a aversão por ela. Essa aversão aumenta mais ainda quando as noções científicas e a explicação da natureza parecem questionar a subjetividade, a liberdade humana, os fundamentos da sociedade e a moral estabelecida.
O problema da alfabetização científica deve ser pensado dentro da problemática geral da Educação. A busca, portanto, é que fique evidente o papel social da ciência e suas interações com aspectos políticos, históricos, econômicos e éticos, diferentemente do ensino cotidiano que reproduz uma concepção de ciência a-histórica e neutra.
Dentro desse contexto, um estudo histórico sobre como a ciência se desenvolve, constitui um grande potencial para uma alfabetização científica.
É indiscutível que a Ciência permeia todas as nossas atividades diárias, então, nada mais necessário do que conhecê-la, porque também somos responsáveis pelo uso, e dela não podemos nos omitir. A ciência é uma das maneiras de interpretar a realidade, é uma das formas de pensamento desenvolvida pelo ser humano e desempenha um papel indiscutível no processo de civilização. Além disso, os resultados da ciência repercutem em todos os âmbitos da sociedade, pois estão associados à produção de tecnologia.
De acordo com Thomas Kuhn (2000), o ensino de ciências sem vínculo com a História da Ciência terá tantas possibilidades de assemelhar-se ao empreendimento que os produziu como a imagem de uma cultura nacional obtida através de um folheto turístico ou manual de línguas. Trindade (2003) acrescenta que a História da Ciência vem se mostrando um instrumento interdisciplinar competente na produção e alteração do conhecimento, abrindo caminhos para o estudante, conduzindo-o a autonomia nos estudos e na vida em sociedade.
Uma possibilidade é o trabalho com a tradução de textos históricos como a carta de confissão de Galileu (1633), O sonho de Kekué (1865), A descoberta do elemento químico Rádio (1895), a carta de Einstein ao presidente Roosevelt (1939), Sobre a lei periódica dos elementos (1889) etc. É óbvio que esta não é a solução para todos os problemas enfrentados na sala de aula. Mas com certeza é uma alternativa à forma descontextualizada, pronta e acabada que a Ciência é mostrada nos livros didáticos.
Bibliografia conslutada
JAPIASSU, Hilton. F. Um Desafio à Educação: Repensar a Pedagogia Científica, São Paulo, Letras & Letras, 1998.
KUHN, Thomas. S. A Estrutura das Revoluções Científicas. 9º edição, Editora Perspectiva, São Paulo, 2000.
TRINDADE, Diamantino Fernandes; TRINDADE, Laís dos Santos Pinto. A história da História da Ciência: uma possibilidade para aprender Ciências. São Paulo: Madras, 2003.
Muito Bom!!!
Você terá um grande caminho a trilhar. Não desanime nunca.
Parabéns!
Seus artigos são muito bons.
Nossa educação estava mesmo precisando de pessoas como você.
Muita Sorte!!
Obrigado Tercília.
A Educação necessita sim de pessoas que acreditem em seu trabalho, conscientes de sua função social e que busquem alternativas para um ensino mais eficiente, mesmo com todos os obstáculos enfrentados diariamente nas escolas públicas.
Oi,minha professora de física deu um trabalho de pesquisa, o assunto é ‘a história da ciência’ e eu procurei e não achei nada que esclarecesse muito bem toda a história,será que poderia me ajudar ?
obrigada
Olá Caroline, posso sugerir algumas obras que te ajudarão à compreender melhor a História da Ciência. Entretanto, devo alertar que este tema é muito amplo e difícil de ser compreendido em sua totalidade. Minha sugestão é que você escolha um episódio específico na História da Ciência e destaque o papel das controvérsias
Por exemplo:
A controvérsia Galileu/ Aristóteles sobre o princípio da causalidade final; A controvérsia Galileu/ Kepler a respeito da teoria lunar das marés; a discussão newtoniana/ cartesiana sobre a ação à distância; a discussão newtoniana/ berkeliana acerca da existencia de tempo e espaço absolutos; a discussão Newton/ Fresnel sobre a teoria da luz como partícula; a discussão Mach/ Bohr sobre a teoria atômica; a disputa Einstein/ Copenhagen acerca da interpretação determinítica da teoria quântica, etc.
Bibliografia recomendada:
“O que é história da Ciência” de Ana Maria Alfonso-Goldfarb – Editora Brasiliense
“Grandes debates da Ciência” de Hal Hellman – Ed. UNESP
“Breve História da Ciência Moderna” de Jose Claudio Reis; Marco Braga; Andreia Guerra – Jorge Zahar Editor
“A história da História da Ciência” de Diamantino F. Trindade – Editora Madras
“A dança do Universo” de marcelo Gleiser – Companhia das Letras
“A ciência através dos tempos” de Attico Chassot – Editora Moderna
Esses livros são facilmente encontrados em bibliotecas, sebos ou se preferir comprar novos, tem preços acessíveis.
Espero ter ajudado. Abraços!